Texto-sentido escrito para o evento de 10 anos da produtora Direção Cultura, realizado dia 27 de outubro, às 20h30 da noite, no Centro de Convivência.
Aos malucos todos que passam mais de oito horas me aguentando!
"Dirigir
Produzir
Reproduzir
Multiplicar
Encenar
Cantar
E mais tantos verbos que fazem parte do nosso cotidiano de trabalho. São inúmeras ações e canções que queremos colocar em prática. A tarefa é construir, elaborar, levar o sonho de um projeto para o papel. E do papel, para o palco, para as escolas, para as praças, para inúmeros locais onde um aglomerado de olhos curiosos possa sorver tudo o que a arte pode fazer. Transformar aquele momento em uma ponte para uma mudança.
De pensamento, de rumos, de expectativas, de ilusões.
Trazer à tona todos os sentidos, aguçados, por favor!
E que os sentidos sejam derramados na forma de aplausos, de choro, de riso, de falação, de críticas e elogios. De emoção.
Queremos que todos os dons saiam de trás das cortinas, para que assim possam mostrar a cara e a cara ser pintada. Queremos que as vozes cantem muito alto, que as mãos falem sozinhas, que a sinfonia seja de sintonia, as composições sejam sentidas, os instrumentos dedilhados, os corpos dançados, as ações interpretadas e o abraço sonoro acolha quem quiser entrar.
O ingresso, a gente não cobra. Contanto que você queira assistir. Aí pode ficar de pé, pode rir, chorar, aplaudir, e se pedir bis, melhor ainda. A gente volta, e volta de novo, e leva mais um pouco. Carrega e soma, porque o saldo é sempre positivo. O balanço anual é complicado de se contar, e as contas são minuciosamente difíceis de se fechar. São trabalhos suados e burocráticos até chegar no resultado, sempre a procura de novos conceitos e alcance de novas idéias. Mais cidades, mais giros, mais alcances.
A arte pode ser feita a partir de muitas linguagens. O silêncio, a não cor, o não som também são uma manifestação concreta de sentidos. O preenchimento dessa lacuna pode ser o que cada um quiser. Assim, peça por peça, vamos juntando um pouco de tudo que seja realizável. Fazendo um mosaico.
Então vamos montá-lo. Me dê uma pitada de música, e um tiquinho de notas musicais. Agora vamos jogar tudo e mexer para ver qual tinta podemos usar. Talvez se fotografássemos as silhuetas e fôssemos dançando as letras e compondo um documentário de esculturas; isso pode virar um Clássico!
Em cena.
Fora de cena.
No palco.
Do alto.
Na rua.
Crua.
Na sala
Nova ala.
No cenário."
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
domingo, 25 de outubro de 2009
Pulso
Dia 27 de outubro do ano passado eu postava essa poesia:
NÃO SEI QUANTAS ALMAS TENHO
Fernando Pessoa( 1888-1935)
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Hoje, quase um ano depois...
Moro no 24
Faço 2.4 daqui a algumas semanas
Tenho 24 segundos de indecisão pra tudo o que preciso decidir
24 lágrimas
12 sorrisos
24 batidas de coração por segundo
4+2=6 e continuo a odiar os números
A amar as letras
E a me lambusar com a música.
Ano passado, neste mesmo mês, Janis me acompanhava.
Este ano, Billie Holiday me acompanha.
Interessante como se pode cantar mais baixo depois de um ano.
E mesmo assim, ser um emaranhado de sentimentos explodindo.
NÃO SEI QUANTAS ALMAS TENHO
Fernando Pessoa( 1888-1935)
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Hoje, quase um ano depois...
Moro no 24
Faço 2.4 daqui a algumas semanas
Tenho 24 segundos de indecisão pra tudo o que preciso decidir
24 lágrimas
12 sorrisos
24 batidas de coração por segundo
4+2=6 e continuo a odiar os números
A amar as letras
E a me lambusar com a música.
Ano passado, neste mesmo mês, Janis me acompanhava.
Este ano, Billie Holiday me acompanha.
Interessante como se pode cantar mais baixo depois de um ano.
E mesmo assim, ser um emaranhado de sentimentos explodindo.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Todas as línguas
Foi uma apresentação artística, qualquer.
Olhando de longe.
Mas sentindo de perto,
Muito mais,
ali tinha.
Olhando de longe.
Mas sentindo de perto,
Muito mais,
ali tinha.
Tinha mais sensações e emoções.
Tinha os risos de um palhaço estilizado,
O canto de uma menina linda que vê mais que todos nós,
Os pés de uma bailarina que dança a vida,
Uma lindeza de menina que traduz, com gestos, todo o encantamento,
Mais trapézio, cores e sabores.
Fazia tempo que eu não me emocionava assim.
O pessoal da ONG "Vez da Voz" mais o Casuo.
Feliz dia das crianças pra quem ainda tem uma dentro de si.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Ensaio sobre
É minha primeira consulta no oftalmo.
Primeira.
Marcada, para não se sabe bem porquê.
Eu preciso dilatar as pupilas.
Para tirar essa cegueira de meus olhos.
Pra poder entender de dentro pra fora.
Na chuva poder lavar.
E parar de sangrar escolhas.
E entendê-las em sentido. E não em razão.
As lágrimas perderam a função.
Se tornaram demais.
Eu estou nadando em um poço de silêncio absoluto.
O meu olho direiro continua coçando.
lacrimejando. escorrendo sozinho.
O impulso vem de dentro mas tão de dentro.
Meu corpo inteiro dói.
Minha cabeça explode,
Minhas pernas fraquejam,
Meus olhos não estão respirando.
Meu sono, minha paz, não mais.
Eu estou sentindo.
Me perdi.
Estou voltando para minhas sessões de auto-conhecimento.
Primeira.
Marcada, para não se sabe bem porquê.
Eu preciso dilatar as pupilas.
Para tirar essa cegueira de meus olhos.
Pra poder entender de dentro pra fora.
Na chuva poder lavar.
E parar de sangrar escolhas.
E entendê-las em sentido. E não em razão.
As lágrimas perderam a função.
Se tornaram demais.
Eu estou nadando em um poço de silêncio absoluto.
O meu olho direiro continua coçando.
lacrimejando. escorrendo sozinho.
O impulso vem de dentro mas tão de dentro.
Meu corpo inteiro dói.
Minha cabeça explode,
Minhas pernas fraquejam,
Meus olhos não estão respirando.
Meu sono, minha paz, não mais.
Eu estou sentindo.
Me perdi.
Estou voltando para minhas sessões de auto-conhecimento.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Energias positivas
Um mês depois.
Parece que anos correram em um dia. Que estranho.
Sequei muito, passei minhas energias para muitas pessoas queridas.
Na tentativa da reconstrução do outro.
E isso requer tempo.
Mas eu cansei tanto, cansei de secar.
Preciso me reestruturar novamente.
Cá estou em busca das minhas energias.
Só do sol voltar a brilhar, eu já me sinto nova.
Em folha.
Pronta para o verão que insiste em logo chegar.
Me alimentando do muito.
Parece que anos correram em um dia. Que estranho.
Sequei muito, passei minhas energias para muitas pessoas queridas.
Na tentativa da reconstrução do outro.
E isso requer tempo.
Mas eu cansei tanto, cansei de secar.
Preciso me reestruturar novamente.
Cá estou em busca das minhas energias.
Só do sol voltar a brilhar, eu já me sinto nova.
Em folha.
Pronta para o verão que insiste em logo chegar.
Me alimentando do muito.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Tic, tac
Existem sábados e sábados.
Aqueles longos, aqueles curtos.
Aqueles em que nem lembramos, outros que adoramos.
Uns de gente feliz, outros de gentes a espera do domingo.
Eu gosto de sábado.
Fico triste por lembrar que depois é domingo.
Porque eu, não gosto de domingos.
Nem de nenhum, nem do último.
Quando meu avô foi pro céu, há 12 anos, eu achava que ele ia.
Quando minha avó foi pro céu, há uma semana, eu também achava que ela ia.
Quando meu avô chegou, ele recebeu um pacote de pururuca e uma pinguinha.
Quando minha avó chegou, ela recebeu um abraço do meu avô, e um caderninho com probleminhas de matemática.
Aí os dois se abraçaram, e voltaram a viver juntos.
Ele sempre repetia "Em quantas partes de divide o crânio?"
E ela "ai Hélio, lá vem você de novo".
A vida vem,
a vida vai.
Quando vem é tão bonita.
Quando vai é tão triste.
Infeliz o ocidental que inventou velar algo já ido.
Feliz a alma que sabe sorrir a expectativa da não dor.
O material que fica, é pueril.
A alma que vai, é sutil.
Roda mundo, roda gigante.
Aqueles longos, aqueles curtos.
Aqueles em que nem lembramos, outros que adoramos.
Uns de gente feliz, outros de gentes a espera do domingo.
Eu gosto de sábado.
Fico triste por lembrar que depois é domingo.
Porque eu, não gosto de domingos.
Nem de nenhum, nem do último.
Quando meu avô foi pro céu, há 12 anos, eu achava que ele ia.
Quando minha avó foi pro céu, há uma semana, eu também achava que ela ia.
Quando meu avô chegou, ele recebeu um pacote de pururuca e uma pinguinha.
Quando minha avó chegou, ela recebeu um abraço do meu avô, e um caderninho com probleminhas de matemática.
Aí os dois se abraçaram, e voltaram a viver juntos.
Ele sempre repetia "Em quantas partes de divide o crânio?"
E ela "ai Hélio, lá vem você de novo".
A vida vem,
a vida vai.
Quando vem é tão bonita.
Quando vai é tão triste.
Infeliz o ocidental que inventou velar algo já ido.
Feliz a alma que sabe sorrir a expectativa da não dor.
O material que fica, é pueril.
A alma que vai, é sutil.
Roda mundo, roda gigante.
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